segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Fiz um novo blog

É isso mesmo, fiz um novo blog. O endereço é esse: www.sapecaria.blogspot.com.

Fazia tempo que eu queria criar um blog de montagens, mas não fazia isso por vergonha. Sempre imagino meus colegas Diretores de Arte vendo minhas coisas e achando tudo a maior tosqueira, hehehehehe (não sei do que estou rindo, isso é triste! huahuahuahuahua).

Mas como algumas amigas me perguntaram se eu aceito encomendas das coisas que faço, então é porque talvez elas não sejam tão ruins assim. Talvez eu deva confiar mais em mim e ligar menos para as prováveis críticas (que ainda nem existem, eu é que estou presumindo que elas surgirão).

Booommmm.... é isso. Meu novo blog está no ar.

www.sapecaria.blogspot.com - Passem lá! =)



OBS: Este blog aqui ainda não está oficialmente morto, ok? Por enquanto, está apenas em coma induzido, hehehehehe. Qualquer dia desses ele ressuscita!

quinta-feira, 26 de março de 2009

A origem da valorização da virgindade

Deu, criei vergonha na cara e decidi parar de enrolar vocês. Segue abaixo meu texto sobre o assunto vencedor da votação, a origem da valorização da virgindade, que ganhou a enquete com 87% dos votos.

Para começar, eis uma pergunta que intriga muita gente: como o machismo existe até hoje?
Bom... pode-se dizer que essa é uma looooooonga história...



Uma das respostas para a "resistência" do machismo pode ser essa: 7.000 anos de dominação não são algo tão fácil assim de mudar. Tudo começou no Neolítico, quando os homens começaram a ter percepção de sua função na geração de bebês. Antes disso, eles não sabiam que tinham parte no processo de reprodução, pois acreditavam que as mulheres engravidavam dos deuses (o que tornava a função reprodutora totalmente feminina).

Esse foi o começo do controle sobre a sexualidade feminina. Afinal, quanto mais filhos, mais mão-de-obra para lidar com a terra, o que ajudava a multiplicar os bens produzidos. E não podia ser qualquer criança, pois os homens não queriam transmitir sua herança a um filho que não fosse seu. Então começou a surgir o casamento e a monogamia. E a virgindade entrou no meio desse balaio de gato.

Aqui entra a parte que todo mundo já estudou na aula de Pré-História do colégio: o casamento surgiu de um pacto onde a esposa obedecia ao marido em troca de proteção contra as adversidades (algo que existe até hoje, aliás). O que sustenta essa idéia é o pressuposto de que a mulher sempre vai concordar em se submeter como esposa porque o homem é o mais forte.

Mas o interessante é observar que essa dependência econômica e psicológica das mulheres não foi construída sobre dados biológicos irrefutáveis que comprovassem a sua fragilidade. Na verdade, foi o contrário: as características biológicas das mulheres é que foram associadas à inferioridade. Sabem quando alguém conta uma mentira tantas vezes que vira uma verdade? Pois é, foi mais ou menos isso. Foi dito tantas vezes que as mulheres precisavam ser protegidas porque eram naturalmente submissas que isso se cristalizou na nossa cultura.

Com o passar do tempo, esses conceitos foram se "sofisticando" (digamos assim) e buscando em que se legitimar. Em Atenas, na Grécia Antiga, foi essa idéia de uma natureza diferente entre homens e mulheres que permitiu justificar a separação de papéis. Lá, a única função feminina era casar e gerar filhos, o que significa que elas não participavam da vida política e viviam confinadas em suas casas. A tal democracia não era pra todos.

Como as mulheres tinham essa função de parir filhos legítimos, o adultério feminino era rigorosamente punido. Se o homem considerasse sua esposa infiel, ele tinha o direito de matá-la, o que infelizmente ainda está bem impregnado em nossa cultura. Basta ver as mulheres que são espancadas e mortas por maridos, namorados ou ex-parceiros ciumentos. Caso Eloá, oi?

Não é de hoje que a sociedade vê a mulher como um bem material que deve pertencer por toda sua vida a um único homem e que se desvaloriza a cada troca de parceiro. É como se a mulher virgem fosse um carro zero quilômetro e, à medida em que tivesse relações, fosse ficando com mais quilômetros rodados e menos dignidade. E essa hostilidade à liberdade feminina se acentuou ainda mais com a chegada da Idade Média.

Olha, se eu começar a colocar aqui todos os absurdos que eram ditos sobre as mulheres na Idade Média, o texto vai ficar gigantesco... e como eu pretendo fazer um texto à parte só sobre isso, vou pincelar apenas algumas coisas relativas à virgindade.

Na Idade Média, a castidade passou a ser conveniente para a Igreja, para evitar que suas terras e bens fossem divididos entre os filhos dos padres. No entanto, embora essa nova norma não fosse lá muito convidativa, a Igreja também precisava de gente pra trabalhar em sua empresa. E então, como fazer para angariar novos padres? Simples: supervalorizando a virgindade e demonizando o prazer.

Tomás de Aquino, por exemplo, chegou a estimar um percentual de chances de ir para o céu de acordo com sua vida sexual. Sério! Para ele, as pessoas virgens tinham uma recompensa celestial de 100%, enquanto os viúvos recebiam 60% e os casados, apenas 30%. Não quero nem imaginar qual seria o percentual para os ajuntados, hueahuahuehueuae... Um vôo ao inferno sem escalas, de certeza. Pobre de mim!

Para defender esse suposto índice de 100%, os padrecos diziam que a tal recompensa celestial não era oriunda só do estilo de vida casto, mas também de um dado "científico": as pessoas virgens dispunham de maior racionalidade, pois a vida sexual conseguia corromper e lesionar a razão. E não parava por ai. Alberto Magno, que foi mestre de Tomás de Aquino e também era um bitolado, tinha ainda mais "fundamentos" para justificar a castidade: sexo com frequência leva ao envelhecimento, rarefaz o cérebro, faz os olhos ficarem fundos e fracos, acelera a calvice e causa morte prematura. Se ele vivesse nos dias de hoje, obviamente se sentiria dentro do filme Madrugada dos Mortos, com zumbis por todos os lados.

Agostinho já havia escrito, muitos séculos antes, que todos os problemas da humanidade começaram com a mulher. As mulheres viraram o inimigo metafórico de toda a teologia celibatária e Eva, coitada, virou o maior bode expiatório da história. Mas nem todas eram pecadoras, houve uma exceção para salvar a classe: Maria, mãe de Jesus.

Salvar a classe? Hmmm, não é bem por ai. A história de Maria também foi modificada pelos padres ao seu bel prazer (opa, prazer não, prazer não pode!). Segundo relatos do Novo Testamento, ela teve vários filhos e filhas, que foram sendo suprimidos dos relatos e transformados em primos de Jesus. O motivo é que os celibatários precisavam afirmar a superioridade de sua condição sobre a dos casados, o que provocou essa aberração: Maria e José eram casados, mas eram virgens.

Mesmo na hora de dar à luz, o parto de Maria precisou ser diferente, para que sua virgindade não fosse "estragada". Logo, seu parto foi limpo, indolor e seu hímen permaneceu intacto, só Deus sabe como (perdão, não contive a piadinha infame, hahaha). Maria engravidou sem prazer e, por isso, teve o parto sem dor. Ela não pôde partilhar de nada que tivesse a ver com a sexualidade feminina. Não pôde conceber seu filho através do amor de um homem. Maria virou uma espécie de criatura assexuada, já que o contrário significaria sua violação e vergonha. Ao pintar a mãe de Jesus como a "mais imaculada", os padres jogaram seu lixo teológico sobre todas as outras mães do mundo.

Maria não foi honrada e mencionada no Evangelho por ser o que era, e sim por seu papel no plano de salvação de Deus. Afinal, um celibatário consideraria pecaminoso honrar uma mulher pelos seus próprios méritos, e não apenas por ser alguém que concebe um filho segundo um plano. Hoje em dia é cada vez mais difícil acreditar na virgindade de Maria, ainda que essa idéia continue sendo disseminada pela Igreja.

Para terminar meu texto, ai vai um trecho do livro "Eunucos pelo Reino de Deus":

Durante o julgamento de Galileu, o Cardeal Belarmino escreveu, a 12 de abril de 1615, ao monge Carmelita Paolo Antonio Foscarini: afirmar que a Terra gira em torno do Sol é tão errôneo quanto afirmar que Jesus não nasceu de uma virgem. (...) Agora que o erro sobre o Sol não pode mais ser sustentado e que a Terra teve permissão para ser um planeta, o erro sobre a Virgem ainda precisa ser corrigido. Durante muito tempo a inteligência humana e a fé cristã foram violadas pela falsa doutrina de que o Sol gira em torno da Terra. Até hoje continuam a ser violadas pela falsa doutrina da concepção virginal.

Fonte: Eunucos pelo Reino de Deus (Uta Ranke-Heinemann)

Ao longo do texto, também usei idéias do livro "Feminismo, que história é essa?" (da Daniela Auad), além de discussões que surgiram na aula de História e Relações de Gênero, com minha querida professora Claudia Mortari.

Ufa, deu de escrever. Cansei! Mas espero que a demora em parir esse texto tenha valido a pena. Outro igual a esses, só daqui 9 meses!

Agora, se me permitem, vou ver se já saiu o episódio novo de Gossip Girl. XO XO pra vocês.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O grande dia que eu disse "sei lá" ao padre

Enquanto a votação corre na enquete, vou escrever mais um texto. Quero dizer, já deu pra perceber qual será o vencedor, mas como estou com preguiça de juntar meus rascunhos, vou esperar o prazo da votação expirar para escrever sobre o tema da enquete. Por enquanto, enrolarei vocês.

Ontem à noite eu fiquei pensando sobre como certos costumes estão impregnados em nossas rotinas, mesmo que a gente tente levar uma vida sem eles. Sem nem perceber, repetimos os hábitos de nossos avós, com uma diferença: esses hábitos poderiam ter um significado para eles que, para nós, não faz mais sentido. Ou seja, damos continuidade a esses atos por puro costume.

O batismo, por exemplo. O batismo serve para que você não queime por toda a eternidade no mármore do inferno. Como isso não tem significado pra mim, eu pensei: não batizarei meus filhos, assim eles vão poder crescer e tomar suas próprias decisões religiosas, sem esse catolicismo por osmose a que somos acostumados. Mas há um detalhe que me incomoda nessa história: e os padrinhos? Meus filhotes não vão ter um padrinho e uma madrinha?

Explicando: eu tenho uma ligação bem forte com meus padrinhos. Tipo, adoro meus tios, mas o afeto aos meus padrinhos é bem maior. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas eu acho uma pena que meus futuros filhos não saibam o que é ter uma madrinha. Se bem que meus filhos não terão 12 tios paternos e 11 tios maternos (como eu tive), então será mais fácil se apegar aos seus (poucos) tios, mesmo que não sejam padrinhos. Ok, problema resolvido!

Só preciso lembrar de jamais matricular meus bambinos em colégios católicos. Caso contrário, eles correm o risco de passar por alguma situação desse tipo:




Uma coisa que esse vídeo me lembrou foi a gloriosa época da catequese. Por incrível que pareça, as catequistas sempre me adoravam! Deve ser porque eu questionava a bíblia e a igreja em muitos aspectos, mas pelo menos prestava atenção à discussão. Um dos meus colegas, por exemplo, passava a aula cantando: "se você quer que a Gina vá embora, vá Gina, vá Gina"... Realmente, em circunstâncias como essas não era difícil gostar de mim, seja lá o que eu perguntasse.

Embora eu fosse sucesso absoluto entre as catequistas, havia uma exceção: uma velha gagá chamada Virgínia. Ela foi minha catequista no 2º ano de catequese, quando eu ainda morava em Içara. E era famosa, todo mundo a temia horrores. Não era pra menos, ela não sorria pra ninguém e tinha uma raiva tremenda de todos os alunos. Eu, por exemplo: ela me detestava mortalmente pelo fato de eu ir pra aula de short e havaianas. Não sei qual era o pecado que ela via nisso, pois afinal, uma garota magrela de 11 anos não é exatamente a coisa mais sedutora do mundo, mas ela me odiava do mesmo modo.

Outra coisa engraçada da catequese era a confissão. Cara, o que diabos uma pré-adolescente nerd e sem vida social como eu teria pra confessar pro padre? O hilário era a cara do dito-cujo no dia da 1ª confissão. Imaginem só a situação do pobre coitado: passar um dia inteiro ouvindo pirralhos contarem seus "super pecados", um após o outro, até o fim da tarde. Tédio infinito... Se eu fosse o padre, botaria um fone de ouvido e ouviria música até a tortura acabar. Pobre sujeito, esse vai pro céu, de certeza. (caso não tenha molestado nenhum garotinho, claro)

Em uma dessas confissões forçadas pela catequese, lembro que certa vez eu não sabia o que contar ao padre, ai eu falei: "po, sei lá!". Nesse momento, eu quase consegui uma excomunhão instantânea, ehauehueauaehuaehueahuea... O padre ficou PUTO! Abriu a porta do confessionário e gritou pras catequistas: "Vocês não preparam eles não?? Tem crismando que entra aqui e diz SEI LÁ! Assim não dá!" haueueueaueahuheauea... to afinada lembrando dessa situação! Huehauhahuhheuhuea... Mas também, ele queria o que? Que eu contasse a ele meus super pecados, como o jeito sórdido, pecaminoso e hediondo que eu escondia as colas de física dentro da calculadora? JAMAIS!

Pensei em comentar também sobre minhas dúvidas a respeito da cerimônia de casamento... mas isso fica pra próxima. O texto já está grande o bastante e eu preciso enfrentar a fila do BESC pra mandar fazer meu maldito cartão do Banco do Brasil. Boa sorte pra mim... E continuem votando na enquete! =D

sexta-feira, 20 de março de 2009

Barbie, vamos ao jogo do Corinthians?

Antes de escrever sobre os temas da enquete, resolvi falar um pouco a respeito dos motivos que me levaram a querer saber mais sobre as relações de gênero.

Quando era uma doce garotinha, eu adorava várias brincadeiras. Apenas um dia era o bastante para que as barbies desfilassem pela casa, o lego virasse 1001 coisas diferentes, as canetinhas desenhassem obras primas, as árvores da praça fossem escaladas, as laranjeiras do quintal sofressem desfalques e meus pés criassem uma crosta intransponível. Enfim, eu concordava plenamente com o slogan do Omo.

Mas algo que me tirava do sério eram as brincadeiras que eram proibidas por não serem condizentes com meu "sexo frágil". Eu adorava jogar futebol, por exemplo. O que não quer dizer muita coisa, quando não deixam você brincar... E era o que acontecia comigo muitas vezes: eu era "promovida" à torcedora e tinha que ficar sentadinha e comportada, enquanto os meninos da rua jogavam.

Na minha cabeça, essas coisas não faziam sentido. Quem foi que definiu que uma garota, por não ter um acessório no meio das pernas, não poderia jogar futebol? O que uma coisa tinha a ver com a outra? Para mim, parecia até o contrário: os garotos se contorciam de dor quando levavam uma bolada naquele local, algo que não aconteceria jamais com nós, meninas.

Eu não entendia por que não podia revezar a barbie com a bola. Não entendia por que só poderia brincar de uma coisa só (e por que essa brincadeira já estava pré-definida). Não entendia por que já haviam feito essa escolha sem me consultar.

Lembro certa vez que o Criciúma jogou contra o Corinthians no Heriberto Hülse. Eu estava louca de vontade de ir, mas só meu irmão foi. O pretexto da minha mãe é que o jogo seria perigoso demais, porque quem ia levar meu irmão ao estádio era o pai do Leandro, então ele já teria dois garotos para cuidar e seria responsabilidade demais cuidar de mais uma criança, blá blá blá blá blá... Ok, eu finjo que acredito. Se eu fosse um garoto, alguém duvida que eu teria assistido ao jogo? Ainda mais sendo 2 anos mais velha, aposto que eu ainda teria a nobre missão de cuidar do meu irmão. Mas sendo uma garota, minha única missão era ficar sã e salva em casa.
Vai brincar de barbie, meu amor, vai...

O tempo passou e eu parei de gostar de futebol (trauma, será? Ou apenas constatei que é um programa de indio?). No entanto, a extensa lista de coisas que garotas não podem fazer continua. Para uma garota "se dar ao respeito" ela não pode beber "como um homem", falar palavrão "como um homem", agir na balada "como um homem"... E tudo isso começa lááá na infância, quando uma menina não pode jogar bola e um menino não pode dançar balé (sim, existem garotos que acham balé super legal. Viu só como você é preconceituoso?).

Esses tempos vi um livro fantástico na livraria, chamado O livro perigoso para garotos. Eu folheava o livro e pensava "bah, adoraria um livro desses quando era criança!". O detalhe, claro, estava no título da obra. Se eu fosse mãe, arrancaria a capa fora antes de entregar aos meus bambinos, hehehehehe.

Enfim, resolvi estudar as questões de gênero para entender melhor como se construiram essas idéias. Assim, talvez seja mais fácil desconstrui-las. O chato é observar como isso é complicado: basta conversar um pouco com alguém que tenha a mente mais fechada para se dar conta do Everest que ainda precisa ser escalado. Entretanto, sempre vale a pena tentar. Afinal, uma infância livre de preconceitos tolos é um bom caminho para adultos mais conscientes, perspicazes e felizes, não é mesmo? Essa é a infância que vou buscar para meus filhos, pelo menos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Dúvida cruel: sobre o que falar?

Oh god, tenho tanta coisa pra botar aqui que nem sei sobre o que falar hoje... Acho que vou fazer uma enquete com os principais temas. Ops, vou fazer isso já!

Ai vão os temas que estarão na enquete (ou já estão, dependendo da hora que você acessar o blog):

1) Mulheres, poder e política --> Baseado na palestra de Françoise Gaspard que vi na UFSC semana passada. Françoise é francesa, já foi deputada e é representante da França na Comissão da Condição da Mulher da ONU (dentre outras coisas).

2) A origem da valorização da virgindade --> Siiiiim, existe uma história por trás disso, que começou lááá na idade das cavernas. Também vou falar sobre a origem da depreciação das mulheres "fáceis". Afinal, todo mundo sabe que não é fácil ser fácil.

3) Mulheres e Religião --> Dispensa comentários. Mas para os semi-analfabetos, a explicação é essa: vou falar sobre como a Igreja foi deformando a imagem das mulheres. Sai capeta! Xô com essa fogueira!

Tenho muito mais temas, mas por enquanto esses três estão de bom tamanho.

Até pensei em incluir a opção "Qualquer tema que não tenha a ver com mulheres"... mas a exclui por uma razão bem simples: eu não me importo realmente com a opinião de vocês. Logo, façam-me esse favor e votem na minha enquete, para me ajudar a decidir sobre qual tema maaaaaaravilhoso eu irei falar no próximo texto.

Bom voto a vocês! Se eu estiver boazinha, prometo que falo sobre o tema mais votado! =D
=X

terça-feira, 17 de março de 2009

Benhê, vamos queimar sutiãs juntos?

Ontem à tarde, passei 3 agradabilíssimas horas dentro da Caixa Econômica, resolvendo pendências. E posso dizer que essa é uma das grandes vantagens em ser "Profissão: estudante": minha única preocupação em passar tanto tempo fora era o reservatório da minha bexiga, que estava prestes a transbordar. Em compensação, li um livro quase inteiro, chamado "Feminismo, que história é essa?" (gentilmente traduzido pelo meu namorado como "Feminismo, que porra é essa???")

Ao ler a história da luta das mulheres por condições mais dignas, encontrei algumas respostas para as perguntas dos meninos nos comentários do meu texto anterior. Então, vamos às respostas.

Para começar, eis uma frase do livro que achei muito legal: "Feminismo não é guerra dos sexos, mas um processo de liberação de homens e mulheres". E do que os homens podem ser libertos? Como uma "luta de mulheres" pode ser benéfica aos homens, se eles é que são o time que está ganhando?

Bom... Para responder isso, vou comentar algumas coisas que vi nesse livro (ah, nada como um pouco de embasamento teórico! Eu amo ser "Profissão: estudante"!).

Para entender o que significa ser mulher na nossa sociedade, é preciso conhecer a história, para ver como a situação das mulheres foi se construindo. No colégio, eu tinha uma professora de história chamada Derley que dizia algo assim: vendo o passado, a gente evita que os mesmos erros aconteçam de novo. Afinal, o que aconteceu ontem dá munição para pensarmos o hoje.

E quais foram os erros do passado? Vou citar um: quando aconteceu a Revolução Industrial, as mulheres trabalhavam exaustivamente e ganhavam menos que os homens. O argumento dos patrões era o de que a mulher precisava menos do trabalho e do salário, porque deveria ter um homem que a sustentasse.

Essa é uma idéia antiga, mas que se repete até hoje. Por exemplo: ao enfrentar uma greve de professoras por melhores salários, o queridíssimo Paulo Maluf concluiu que na verdade elas não ganhavam mal, mas eram mal casadas. (bom, pra falar do Maluf basta lembrar sua outra pérola clássica, a do "estupra mas não mata". Inacreditável.)

E você, caro leitor que não é chefe de porra nenhuma, em que essa diferença salarial te atinge? É simples: como as mulheres entram para o mercado de trabalho em desvantagem, muitos homens também precisam aceitar ganhar menos para conseguir um emprego. A diferença de remuneração faz com que o nível salarial geral seja rebaixado. Logo, lutar por igualdade salarial deve ser uma luta de homens e mulheres, para que possam exigir, juntos, melhores condições de vida.

O que acontece é que como ainda existe essa mentalidade de que mulher precisa de um homem para segurar as pontas em casa (além de muitos outros pré-conceitos, que vou falar em outros textos), os reflexos são sentidos e vão muito além da diferença salarial. Por exemplo, muitos homens se perguntam: por que as mulheres falam tanto em igualdade, mas não pagam a conta do jantar?

Por que há esse hábito dos homens pagarem o jantar? Porque é considerado algo "protetor", afinal, historicamente as mulheres ganhavam menos. Embora muitas hoje já ganhem melhor, esperar que o homem pague a conta virou algo grudado à nossa cultura. Aliás, muitos problemas de hoje são causados por causa de traços culturais que não são questionados. Muitas mulheres querem ser bancadas e pronto, sem pensar nas consequências que isso pode gerar. E muitos homens não gostam de pagar as contas, mas não se dão conta de que suas colegas de trabalho ganham menos para exercer as mesmas funções.

É importante questionar a cultura ao nosso redor. E também é importante ter poder de escolha. Ou seja: o que interessa não é quem faz o almoço ou quem abre o vidro de palmito, e sim se a pessoa que faz isso se sente feliz (e não obrigada). Se nenhum dos dois gosta de entrar na cozinha, a saída não é lutar um contra o outro, e sim unirem-se para encontrar uma solução que seja boa para os dois. Restaurante popular, where are you?

O objetivo maior do feminismo é liberar tanto as mulheres quanto os homens para uma vida autêntica e consciente. Mesmo que você não goste da palavra "feminismo", você pode ajudar a construir um mundo melhor para homens e mulheres. Basta questionar o mundo em que você vive, como o que você ouve em casa, o que vê no trabalho e o que a TV diz a você. Não é fácil, mas não custa tentar =)




OBS: Para os que se interessaram, o livro que eu li se chama "Feminismo: que história é essa?", da Daniela Auad. Ele é pequeno e facílimo de ler. Recomendo!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Inveja do pênis, o caralho!

Por que parei de escrever? Boa pergunta... Ok, nem tão boa assim: eu parei de escrever porque comecei a me achar uma chata. E como nem eu conseguia suportar meus próprios draminhas, resolvi ter piedade e poupar os pobres ouvidos alheios, hehehe.

Agora outra fase da minha vida começou: comecei a fazer aulas em disciplinas isoladas da UFSC e da UDESC, algo que eu tinha muuuuita vontade há tempos. Foi ai que eu resolvi voltar a escrever no blog, porque acho que as coisas que eu estou aprendendo nessas aulas são boas demais para morrerem só comigo. Sério, vocês não tem noção das coisas que eu tenho ouvido e anotado, especialmente na matéria que eu vou citar abaixo.

A matéria mais legal até agora tem sido História e Relações de Gênero (na graduação de História da Udesc). Nessa semana, por exemplo, vi três super palestras na UFSC e na UDESC, em homenagem ao Dia da Mulher. Anotei um monte de coisas e estou louca pra botar aqui no blog, pra dividir essas discussões feministas com vocês. OPA, FEMINISTAS, COMO ASSIM?

Abre parêntese. Antes que alguém queira me queimar na fogueira (junto com meus sutiãs), ai vai uma breve explicação do que é ser uma feminista.

Ser feminista é lutar pela igualdade entre os gêneros. E não é ser igual no sentido de ter um pinto pra fazer xixi em pé, e sim viver numa sociedade mais equânime. Defender o feminismo é defender que as mulheres participem da política, contribuam com as decisões da comunidade, sejam donas do seu próprio corpo e respeitadas como são. Ser feminista é não aceitar que nossas filhas sejam obrigadas a gostar de rosa e não possam brincar de carrinho, caso elas queiram isso. Aliás, ser feminista é poder ter a decisão de ter ou não filhos, de casar ou não, de ser tocada quando e por quem quiser (e não só para satisfazer um homem ou obedecer à sociedade).

Você não gosta de ouvir argumentos do tipo "ele pode fazer isso porque é homem"? Você não gosta de ver a banalização e bundalização das mulheres na propaganda? Você não acha que só as mulheres devam lavar a louça do jantar? Você fica indignado com casos de violência contra a mulher, mesmo quando são feitos por "namorados apaixonados que não podem ficar sem a mulher amada" (vide Caso Eloá)? Você não acha justo que mulheres recebam salários menores, mesmo quando exercem funções iguais às dos homens? Então, meu bem, lamento informar, mas você também é feminista, seja homem ou mulher.

Aliás, essa é outra bobagem que precisamos dar fim: a idéia de que um "homem feminista" só pode ser um gay. Então mulher machista é lésbica? Aliás, tem uma porção de mulheres por ai que sentem orgulho de dizer que são machistas, algo que não consegue entrar na minha cabeça. Como alguém pode dizer que apóia algo que só o prejudica? É o mesmo que um negro defender que um branco é superior. Mas essas distorções infelizmente existem, e o pior: as mulheres machistas não tem vergonha de assumir seus machismos, mas muitas feministas tem vergonha do que os outros possam pensar delas (por causa de todas as bobagens que já foram ditas ao longo dos anos).

Esses dias eu fiquei indignada por uma piadinha machista que recebi via e-mail. Respondi o tal e-mail e ninguém entendeu nada da minha indignação, pois afinal, era "só uma piadinha". O que passa despercebido é que através dessas coisas "pequenas", "inocentes" e meramente "humorísticas", idéias antigas continuam sendo repassadas. Uma garotinha loira que lê uma piada de loiras dificilmente irá assimilar isso como sendo só uma piada. Falo isso por experiência própria, porque eu fui uma menina loira e não acho que essas piadas tenham sido construtivas na minha vida.

Uma frase que acho engraçada é quando alguém diz que não é machista nem feminista. Acho que dizem isso por desconhecimento do que significa ser feminista... Um machista acha que homens são superiores às mulheres, mas um feminista não acredita que exista essa superioridade por lado algum. Mas como a palavra começa com "femini", as pessoas se apavoram e não querem nem saber: não são feministas e pronto, seja lá o que isso signifique.

Existe sim uma palavra para designar mulheres que se acham superiores aos homens: femista. Logo, aquela frase deveria ser: "não sou machista nem femista, sou feminista". =)

Se você é mulher e é feminista, seja bem-vinda. Se você é homem e é feminista, seja bem-vindo também: você não está sozinho. E podem aguardar meus próximos textos, porque eles serão terríííííííveis! huahauhauhauahuahuha

I'M BACK!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Making of: Inside estréia no Tudocom

Lá vai um Ctrl + V...



Making of: Inside estréia no Tudocom

Numa realização do Tudocom, e produção da Oito Milímetros Films, de Florianópolis, está no ar o programa Inside. O projeto tem como objetivo mostrar os bastidores da propaganda catarinense. Em sua estréia, a equipe do Inside acompanhou as gravações do mais recente filme do Energia, criado pela OneWG e produzido pela Zig Filmes. O programa conta com a paticipação de Carlo Manfrói, Cíntia Brunelli, Paulo Trejes, Beto Torres e Reinaldo Carus.
Assista aqui a estréia do Inside: http://www.tudocom.com.br/inside.html



Só tenho uma coisa a comentar: EU FALO RÁPIDO DEMAIS! Affff!
E eles cortaram a parte onde eu falava que me inspirei na música Lua de Cristal pra escrever o jingle, hahahaha... Quiseram manter a classe, suponho =X

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Intercâmbio de governadores

Aos que sentirem saudades minhas (pretensiosa eu, não?), ai vai o link do blog da OneWG:
http://www.osuleonossomundo.com.br/blog

Andei botando coisa nova lá:

- Intercâmbio de governadores.
- Querida, encolhi os bebês.
- O dólar sobe, a expectativa da indústria também.
- Estados Unidos, só depois de China e Argentina.
- E muito mais. (leia-se: "já faz tanto tempo que não falo do blog da OneWG aqui que nem lembro mais o que é novo e o que não é")

Beijos!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

(In)Justiça, Grande Tema Literário

Como faz tempo que não atualizo meu blog e não sei quando irei atualizar de novo, aproveitem bem esse texto. Ou seja: não venham reclamar que ele é grande demais, porca pipa!




Lembram que eu fiz um ensaio para uma amiga, chamado "A literatura pode sim mudar o mundo"?

Dias depois, o professor da minha amiga pediu outro ensaio, dessa vez com o título "(In)Justiça, Grande Tema Literário". O foco principal deveria ser uma análise do texto "A Balança dos Balek", do escritor alemão Heinrich Böll.

Para ver o texto de Heinrich Böll antes de ler a minha análise, clique aqui.
(eu recomendo!)

Ai vai meu ensaio:




(In)Justiça, Grande Tema Literário

Se a arte imita a vida, é bastante compreensível que a injustiça seja um tema tão freqüente na literatura. Desde que a história dos homens passou a ser registrada por escrito, observa-se como a falta de honestidade faz parte do cotidiano de todos os povos. Muito já se foi falado a esse respeito; contudo, na medida em que o tempo passa, surge a inspiração para escrever baseada em novos escândalos que a sociedade observa a cada dia.

O texto “A Balança dos Balek”, de Heinrich Böll, é comovente por ser tão atual, mesmo narrando uma história que se passa no ano de 1900. De tempos em tempos, algumas pessoas despertam diante da ausência de integridade de seus governantes. Então, acontece um ciclo. Primeiro, a população se sente alerta e exige melhorias. Enquanto o governo abafa os protestos, também tenta provar sua inocência. Depois, os protestos diminuem e, pouco a pouco, a rotina volta a ser a mesma. Até que alguém desperte novamente e todo o ciclo recomece.

Textos como “A balança dos Balek” costumam ser muito divulgados em época de eleição. Todavia, poucos são como o menino Franz. Após o dia de ir às urnas, muitos retornam ao estado de apatia e resignação, como a aldeia onde o garoto vivia. E boa parte dos cidadãos são relapsos conscientes: sabem a importância de se inteirar sobre o que ocorre na câmara dos vereadores da sua cidade, mas acham mais conveniente ler a coluna social e ignorar a página da política.

O parágrafo final do texto de Böll é tocante por ser tão próximo à nossa realidade. A família do menino Franz desperta de tal forma que não consegue esquecer e por causa dos guardas, que agiam em defesa de um governo corrupto, a irmãzinha de Franz é morta. Uma inocente pagou com sua vida pelo fato de sua família ter feito algo abominável a muitos governantes: criou consciência política. Sua família viu a corrupção de perto, liderou uma revolta, colocou todas as suas energias nisso... Até que a população se resignou e tudo voltou a ser como era antes.

Contudo, a família de Franz jamais esqueceu. Após abrir os olhos, eles não conseguiam simplesmente adormecer, como antes. A desonestidade estava em todos os lugares. Pode-se traçar um paralelo com a Alegoria da Caverna, de Platão. Aqueles que conseguiam ver o Sol, se habituar à luz do dia, sentiam vontade de libertar todos os que ainda viviam à sombra, no fundo da caverna. Mas as outras aldeias não prestavam atenção à família de Franz, porque não tinham noção do quanto a corrupção os prejudicava. Então, achavam mais fácil confiar no seu governante e ignorar que podiam estar sendo enganados. Afinal, eles eram felizes, assim como a aldeia de Franz também era, antes de tomar consciência da podridão que os cercava. Há uma frase que diz que a ignorância é uma bênção, e a família de Franz foi castigada por ter conhecimento. É difícil sair da caverna, abandonar suas crenças, admitir que todo o povo confiou em governantes que não mereciam. Da mesma forma que ninguém questionava a idoneidade da balança dos Balek, afinal, várias gerações já haviam utilizado aquela balança.

Vários governos populistas utilizaram o mesmo artifício que os Balek: em momentos de prosperidade, distribuíam presentes e regalias à população, para conquistar a fidelidade de seu povo. Todavia, quando os camponeses perceberam como foram lesados pela balança desregulada, todos os presentes dos Balek perderam o brilho. Isso porque esses “presentes” foram comprados, na verdade, com o dinheiro da própria população, e eram bem menos do que os camponeses deveriam ganhar dos Balek.

No texto de Böll, pode-se traçar um paralelo com a política brasileira, vastamente abordada pela literatura nacional. Autores de várias épocas e estilos, como Machado de Assis, Lima Barreto, Oswad de Andrade, Nelson Rodrigues e Jorge Amado já discorreram sobre a injustiça dos governantes para com a sociedade.

Machado de Assis utilizava sua fina ironia para abordar o descaso com que a população era tratada. Em “Esaú e Jacó”, por exemplo, ele aborda as diferenças entre o Império e a República. As classes mais abastadas discutiam ferozmente, cada uma defendendo seus pontos de vista. Entretanto, isso acontecia porque elas seriam beneficiadas ou prejudicadas, dependendo do sistema de governo que prevalecesse. Mas embora o Império e a República fossem bem diferentes, em teoria, o que se observa é que a qualidade de vida da população em geral continuava a mesma. Isso leva o leitor a se indagar se alguma das formas de governo poderia, de fato, beneficiar a sociedade, e não apenas a elite.

Crítico da República Velha, Lima Barreto falou sobre problemas sociais como a pobreza e o preconceito contra negros, do qual ele mesmo foi vítima. Lima Barreto pensava que a literatura tinha uma função social e foi duramente recriminado por isso. Uma de suas obras mais famosas, “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, mostra um nacionalista que, ironicamente, é preso por acusações de traição à pátria. Todos os seus amigos e conhecidos se recusam a ajudá-lo por medo ou ganância. De forma irônica, Lima Barreto critica aspectos da política brasileira. Seu personagem, Policarpo Quaresma, chega à conclusão que a pátria que ele sonhava era uma utopia.

A iniqüidade foi abordada por Oswald de Andrade em forma de sátira e rebeldia. Na peça “O Rei da Vela”, por exemplo, o autor demonstra sua indignação política perante a burguesia, a aristocracia rural falida e o capital estrangeiro. O proletariado é mostrado como devedores dentro de uma jaula, no escritório de um agiota, tratados como animais por uma elite corrupta e egoísta. Pelas metáforas utilizadas, a peça de Oswald foi considerada chocante por muitos, que não aceitaram encarar as injustiças da sociedade de uma forma tão crua e sem eufemismos.

Nelson Rodrigues enfrentou críticas semelhantes, pelo fato de também observar a sociedade sem romanceá-la. A hipocrisia, o cinismo, as relações sociais deturpadas, a corrupção, essas características estão presentes em todos os seus personagens. O autor relata que, certa vez, Manuel Bandeira perguntou: “Nelson, por que você não faz uma peça em que os personagens sejam assim como todo mundo?”. E ele respondeu: “Mas meu caro Bandeira, meus personagens são como todo mundo”. Com isso, ele mostra a sua descrença na sociedade. Diante de uma boa oportunidade, até mesmo os cidadãos mais honestos se sentiam tentados a cometer delitos e trair seus companheiros.

A obra de Jorge Amado não é tão mordaz, mas também é bastante contundente com relação à falta de justiça na política e na sociedade. Como exemplo, temos “Capitães da Areia”, que fala sobre meninos de rua da década de 30. Os meninos são mostrados pela imprensa como ladrões impiedosos que devem ser eliminados. Todavia, o leitor observa que não passam de crianças órfãs, pobres, sujeitas a várias doenças, sem estudo e oportunidades, e carentes não só de comida, mas de atenção e afeto. A burguesia exigia que o governo tomasse medidas para que esses “pequenos criminosos” fossem afastados, sem ponderar que era o próprio governo, na sua ineficiência, que fazia com que esses meninos tivessem uma existência tão sofrida.

Na literatura internacional, também há ocorrências da injustiça como tema de grandes obras. Uma das mais notáveis é "Crime e Castigo", do russo Dostoievski. Ao longo da obra, acompanhamos a angústia do jovem estudante que mata uma velha senhora para roubar seu dinheiro. Embora tenha cometido um crime, o leitor sente empatia pelo jovem assassino, porque este também fora uma vítima: pobre, doente e arruinado, apelou para o latrocínio no auge de seu desespero. Para o autor, o maior castigo que o estudante sofre não está em prisão alguma, e sim em sua própria consciência. A aflição, o arrependimento e o medo de ser descoberto fazem justiça ao crime cometido.

No romance "1984", George Orwell discorre sobre o Estado invadindo a privacidade dos cidadãos, em prol da "segurança" da Nação. Os prejuízos causados à população são imensos, sendo que boa parte dela nem se apercebe disso. Pior: crentes que estão ajudando a construir um país forte e que estão numa batalha contra os "inimigos", lutam em prol de um governo tirano que retira seus direitos. Não percebem que aqueles pelos quais se sacrificam são, na verdade, seus piores vilões.

Ainda na literatura internacional, temos Aldous Huxley, questionando uma sociedade dita perfeita na obra "Admirável Mundo Novo". Pessoas são designadas para determinadas funções desde o momento da concepção, em laboratório, e treinadas para isso durante toda a sua existência. Assim, a rebeldia por melhorias e por ascensão social é controlada, pois cada indivíduo é criado para acreditar que sua posição na sociedade é a melhor para si mesmo. Contudo, quando um homem é criado fora desse sistema e depois é trazido ao convívio da sociedade, todos esses valores são questionados. Porém, o homem sucumbe à pressão e comete suicídio: ele não suportou ser o único capaz de ser diferente, num mundo onde até o pensamento parecia ser industrializado.

Talvez o caso de injustiça mais conhecido pela população, há várias gerações, seja a crucificação de Jesus Cristo. Como o fato é narrado por uma terceira pessoa, na Bíblia, vamos analisá-lo como literatura. E o que o leitor observa é que nem o mais digno dos homens foi poupado da tirania. O pretexto para sua morte brutal é o da salvação da humanidade. Entretanto, dois milênios se passaram e o homem ainda não foi salvo. Há os impostos abusivos, as prisões injustas e os governos tiranos. Cidadãos passam a vida pagando tributos que engordam contas no exterior, até morrer na fila de um hospital público. O homem não consegue ser salvo dos outros homens.

Böll escreveu uma história ambientada em 1900. No entanto, pelo que observamos em nossa sociedade, o texto continuará atual por gerações. Os futuros autores poderão discorrer sobre a falta de justiça e sempre haverá novos prismas. Isso porque os tipos de desonestidade praticados pelo homem se reinventam. Basta abrir os jornais para percebermos os novos golpes e escândalos que são criados a cada dia. Inspiração é que não falta aos escritores.





OBS 1: O tamanho mínimo do ensaio era de 5 páginas, por isso me empolguei tanto hehehehe.

OBS 2: Prof. Ronaldo, quantos erros conseguisse encontrar em meu texto? (nem responda! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)